Aliar soja, biodiversidade e serviços ecossistêmicos é um bom negócio

Os resultados de estudos de caso que comparam o valor ambiental de práticas agrícolas na produção de soja foram apresentados em março.

Destacar os benefícios econômicos de iniciativas empresariais que favoreçam a conservação da biodiversidade e a manutenção dos serviços ecossistêmicos: este é o principal objetivo do projeto TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity) para o Setor de Negócios Brasileiro, coordenado pela Conservação Internacional (CI-Brasil). Lançado em outubro de 2011, a ação apresenta agora os resultados de estudos de caso que comparam o valor ambiental de práticas agrícolas na produção de soja e óleo de palma (dendê) em projetos-piloto da Monsanto e da Natura Cosméticos, respectivamente. Em ambos os casos, a análise prova que conservar o “capital natural” é um bom negócio.

“Ao evidenciar o valor econômico, até então tratado como invisível nas questões da conservação dos recursos naturais, o TEEB demonstra que a preservação e o uso sustentável do capital natural são condições si ne qua non para se alcançar um desenvolvimento econômico sustentável que assegure o bem estar social das gerações de hoje e de amanhã”, considera Helena Pavese, coordenadora do projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro.

Coordenado pelas áreas de Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade, com apoio das equipes de Regulamentação, Jurídico, Finanças, Assuntos Corporativos e do time de INTACTA, o estudo foi realizado pela consultoria britânica Trucost. O resultado deverá servir principalmente para o debate sobre a importância dos serviços ecossistêmicos para a agricultura. Para realização do estudo, foram fornecidos dados sobre a produção de soja de uma lavoura localizada no Oeste da Bahia, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, área de abrangência do bioma Cerrado. Lá, foram estimados os valores dos benefícios dos serviços ecossistêmicos de regulação, como controle de erosão, ciclo da água, entre outros, e de provisão (alimento, madeira e energia), tanto da vegetação natural, quanto da lavoura de soja. Também foram expressos em valores monetários os impactos da cultura da oleaginosa, como o consumo de água e uso de defensivos agrícolas.

Todas as variáveis foram contabilizadas em uma equação, gerando um valor monetário para dois cenários. Enquanto um deles avaliou 1 hectare coberto apenas com soja, no outro foi avaliado 1 hectare coberto com 80% de soja e 20% de Cerrado. Os resultados do estudo indicaram que o segundo cenário é capaz de oferecer, ao longo de um ano, serviços ecossistêmicos 11% mais valiosos que o total dos serviços ecossistêmicos oferecidos por 1 hectare plantado exclusivamente com soja.

Contabilizando em termos monetários, também é economicamente mais vantajoso conciliar a cultura da soja com o Cerrado: no balanço final de 12 meses, o hectare de soja com Cerrado oferece serviços ecossistêmicos no valor de R$ 1.139,00, em comparação aos R$ 1.031,00 em serviços oferecidos pela área ocupada exclusivamente por uma lavoura de soja.

“O envolvimento da Monsanto com o estudo vem fortalecer a nossa missão de melhorar o dia a dia dos agricultores e auxiliá-los a produzir mais e melhor, conservando o capital natural. Por isso investimos no avanço da agenda de desenvolvimento sustentável, conduzindo, cada vez mais, iniciativas concretas para conciliar crescimento econômico e conservação ambiental no Brasil”, afirma Daniela Mariuzzo, gerente de Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade da Monsanto.

Os resultados do estudo podem ser acessados na íntegra, clicando aqui.